Infecção Neonatal



INFECÇÃO NEONATAL

NEONATAL INFECTION

INFECCION NEONATAL

Aline Lemos da Silva¹, Cátia Fernanda Gomes da Silva¹, Cristiane Fundão de Souza Castro¹, Luiza Tamara de Freitas Silva¹, Nathália da Costa e Silva Fonseca¹², Nayara Lopes Gervásio¹, Renato Nascimento Ribeiro¹

¹ Acadêmicos de Enfermagem do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO)

³ e-mail: nathzinhaa.enf@gmail.com .

RESUMO
A infecção neonatal constitui-se uma grande preocupação por ser uma patologia difícil de ser reconhecida e comprovada e ser simultaneamente grave. Pode ser congênita, adquirida durante o parto, ou adquirida na vida pós-natal. As características epidemiológicas, a evolução clínica e o prognóstico diferem entre estes tipos de infecções. No presente estudo, iremos apontar além da definição de infecção neonatal, as principais vias, doenças e agentes causadores.

ABSTRACT
The neonatal infection itself is a major concern because it is a difficult disease to be recognized and proven to be both serious and. It can be congenital, acquired during the birth, or acquired in postnatal life. The epidemiological characteristics, the clinical course and prognosis differ between these types of infections. In this study, we aim beyond the definition of neonatal infection, the main routes, diseases and causative agents.

RESUMEN
La infección neonatal es una preocupación importante porque es una enfermedad difícil de ser reconocido y demostrado ser graves y. Puede ser congénita, adquirida durante el nacimiento, o adquiridas en la vida postnatal. Las características epidemiológicas, el curso clínico y pronóstico diferentes entre estos tipos de infecciones. En este estudio, nuestro objetivo más allá de la definición de infección neonatal, las principales rutas, las enfermedades y los agentes que la causan.

INTRODUÇÃO

As infecções neonatais são doenças ou síndromes de diferentes etiologias (vírus, protozoários, espiroquetas...), que apresentam semelhanças clínicas, representadas principalmente pelos clássicos agentes que compõem o acrônimo TORCH (Toxoplasmose, Outros: Sífilis. Doença de chagas, Malária, Hepatite B, Echerovirose, Rubéola congênita...)

As infecções podem ocorrer por diferentes vias, as quais descreveremos no seguir do estudo.

METODOLOGIA

O método do estudo será qualitativo do tipo revisão em síntese (artigos, periódicos, livros e trabalhos acadêmicos), pesquisados no período de agosto até outubro de 2008.

INFECÇÃO NEONATAL

Os processos infecciosos no período neonatal constituem, ainda hoje, importante causa de morbidade e mortalidade neonatais. Em parte, este fato se deve a particularidades relativas ao próprio hospedeiro, mas em grande parte, se deve ao ambiente em que vive, podendo ser atingido por via intra-uterina, durante o parto ou na vida extra-uterina.

A incidência de infecções perinatais é bastante elevada, tal fato decorre principalmente da inadequada observância de regras básicas de assistência ao RN, tais como:

►Limitação do nº de RN em cada sala, evitando-se a superpopulação;

►Cuidadosa lavagem das mãos e antebraços antes da entrada na unidade neonatal e depois de manusear cada RN;

►Limpeza diária das dependências da unidade com soluções anti-sépticas e limpeza terminal a cada sete dias, com pulverização de soluções anti-sépticas;

►Limpeza de berços e incubadoras, diariamente, e desinfecção terminal a cada sete dias;

►Troca de filtros de ar das incubadoras a cada 60 dias;

►Limpeza e desinfecção de respiradores, aspiradores e outros equipamentos;

►Equipes médicas, de enfermagem e de limpeza, fixas e próprias da unidade, evitando-se o ingresso de elementos doentes, com suspeita de serem portadores de germes;

►Esterilização, por autoclavagem terminal, de mamadeiras.

Além destas regras, outros fatores interferem nas incidências das infecções, como o tipo de hospital onde se situa a unidade, as condições sócio-econômicas da gestante e os tipos de doença que se recebam de outros serviços.

VIAS DE INFECÇÃO:

Os principais mecanismos de infecção fetal são por via transplacentária e por via ascendente. Pela via transplacentária, o germe que atingiu diretamente a corrente sanguínea materna, pode levar às seguintes conseqüências: infecção placentária sem infecção fetal; infecção fetal sem infecção placentária; infecção placentária e fetal e ausência de infecção fetal e placentária.

A via ascendente é aquela seguida por agentes bacterianos encontrados na flora vaginal ou digestiva materna, são observadas principalmente, após rotura das membranas.

Além dessas duas vias, o feto pode ser acometido durante a passagem pelo canal do parto ou o RN, após o nascimento.

As infecções pós-natais são as mais comumente encontradas na prática e as que condicionam, em números absolutos, o maior contingente de óbitos. A exposição à vida extra-uterina favorece contato do RN com grande número de agentes infecciosos, onde as principais portas de entrada são o aparelho digestivo e respiratório.

Quadro clínico e diagnóstico:

O quadro clínico dos processos infecciosos no RN é comum a várias doenças não infecciosas, necessitando para seu diagnóstico uma observação apurada, anamnese e história obstétrica.

Os RN de gestantes portadoras de infecção do trato urinário têm maior predisposição de apresentar processos infecciosos.

Os sinais clínicos são geralmente muito discretos, podendo-se notar dificuldade em ganhar peso ou recusa alimentar. Outros sinais são: variações na temperatura corporal; letargia ou irritabilidade; tremores; convulsões; abaulamento de fontanela;

Alterações do tono muscular; gemidos; respiração irregular; taquipnéia; crises de apnéia; vômitos; diarréia; distensão abdominal; cianose; palidez; icterícia; taquicardia e arritmias; podendo evoluir para um quadro de choque.

ROTURA PREMATURA DE MEMBRANAS

►Menos de 24 horas: considerar que o risco de infecção não se acha aumentado.

►Mais de 24 horas:

1- Exame físico cuidadoso do RN, procurar ativamente sinais de infecção;

2- Hemograma completo;

3- Hemocultura;

4- Cultura de colo uterino materno;

5- Outros exames conforme o caso: gasometria; bilirrubinas; glicemia; raios X do tórax; líquor e urina para cultura.

►Tratamento:

Colher sempre antes de se iniciar o tratamento (se ainda não forem colhidos): líquor e cultura de urina (por punção suprapúbica).

Iniciar o tratamento com penicilina + aminoglicosídeo. A penicilina pode ser substituída por ampicilina. As doses devem ser adequadas ao peso e à idade. Nos casos de sepse, tratar por 10 a 14 dias. Meningite, tratar por 21 dias. Se as culturas forem negativas e o RN estiver bem, suspender a terapêutica depois de três dias.

SÍFILIS CONGÊNITA

É classificada em fase precoce e tardia.

►Sífilis congênita precoce: Ocorre o aparecimento de sinais e sintomas desde os primeiros dias de vida até os dois anos de idade. As lesões e alterações nesta fase são:

* Mucocutâneas:

- exantema maculopapular;

- pênfigo palmoplantar: lesões vesicobolhosas envolvendo o corpo, principalmente a palma da mão e a planta do pé;

- placas mucosas em lábio, língua e palato;

- rinite com coriza;

- palidez;

- icterícia.

* Sistema Hematológico:

- anemia;

- plaquetopenia;

- coagulação intravascular disseminada devido a vasculite com consumo de fatores de coagulação associada a trombocitopenia.

* Sistema retículo-endotelial:

- hepatomegalia;

- esplenomegalia;

- adenomegalia (aumento do gânglio linfático).

* Outros órgãos e sistemas: a sífilis pode comprometer também:

- olhos;

- pulmões;

- coração;

- rins;

- sistema gastrintestinal.

►Sífilis congênita tardia: neste período ocorre o aparecimento dos estigmas (cicatriz, marcas, sinais cutâneos) que geralmente são conseqüentes da cicatrização das lesões iniciais causadas pelo espiroqueta, sendo as mais freqüentes:

- fronte olímpica;

- alargamento esternoclavicular;

- tíbia em sabre;

- região maxilar curta com palato ogival;

- dentes de Hutchinson: incisivos superiores centrais pequenos, separados e com fenda na porção média.

►Diagnóstico laboratorial:

- hemograma;

- bilirrubinas;

- enzimas hepáticas;

- osteocondrite;

- exame do líquor;

- exames sorológicos.

►Tratamento:

- fase primária, secundária e latência precoce, penicilina G benzatina repetição da dose sete dias após a primeira;

- fase de latência tardia. Penicilina G benzatina uma vez por semana por três semanas.

TOXOPLASMOSE CONGÊNITA

A toxoplasmose não causa alterações teratogênicas. Seu quadro clínico é bastante variável, podendo ser classificada em quatro formas:

1- Infecção subclínica;

2- Doença neonatal;

3- Doença que ocorre nos primeiros meses de vida;

4- Seqüelas.

A forma mais comum é a subclínica. As crianças nascem sem manifestações clínicas e podem ou não apresentar seqüelas posteriores como a microcefalia; hidrocefalia; uveítes; retardo psicomotor; surdez e estrabismo.

A forma neonatal é observada nos primeiros dias de vida e se manifesta de forma bastante grave. Prematuridade ou baixo peso; hipo ou hipertermia; alterações sanguíneas como: anemia, trombocitopenia, petéquias, equimoses disseminadas, alterações SNC, calcificações intracranianas, meningoencefalites, alterações liquóricas, lesões medulares e cerebelares e anomalias pulmonares (pseudocistos).

►Diagnóstico: o diagnóstico é baseado em dados epidemiológicos, semiológicos e métodos auxiliares.

- exames imunológicos;

- hematológico;

- líquor;

- radiologia;

- ultra-sonografia;

- avaliação oftalmológica.

A toxoplasmose deve ser diferenciada de outras doenças congênitas como a rubéola; citomegalovírus; herpes simples e sífilis.

►Tratamento: as drogas mais eficientes têm sido a sulfadiazina e a pirimetamina, juntamente com o ácido folínico, que, além de aumentarem os efeitos terapêuticos, previnem os efeitos colaterais, seguidas da espiromicina.

RUBÉOLA CONGÊNITA

►Rubéola congênita não confirmada:

- presença de defeitos congênitos sugestivos;

- quadro laboratorial negativo.

* Suspeita de rubéola congênita:

- presença de defeitos congênitos sugestivos;

- reabsorção embrionária;

- abortamentos espontâneos;

- natimortalidade;

- presença de imunoglobulinas durante o período gestacional;

- crianças com idade superior a quatro anos com malformações múltiplas

- sorologia positiva, sem exposição pós-natal.

* Rubéola congênita confirmada:

- presença de defeitos congênitos sugestivos;

- confirmação laboratorial;

- isolamento do vírus.

►Quadro clínico: o quadro clínico dos fetos infectados antes de oito semanas de gestação apresenta anormalidades. Esta incidência diminui com a evolução da gestação. As manifestações mais comuns são:

Retardo de crescimento intra e extra-uterino;

- deficiência auditiva;

- SNC (retardo mental, microcefalia, meningoencefalite, convulsões, calcificações intracranianas);

- doença ocular (glaucoma, catarata, coriorretinite, microftalmia, estrabismo);

- cardiopatias congênitas;

- alterações esqueléticas;

- hepatomegalia;

- esplenomegalia;

- pneumonite intersticial.

►Diagnóstico laboratorial:

- ELISA;

- IgM;

- inibição da hemaglutinação.

►Tratamento: não há tratamento específico para a rubéola, deve-se ater à profilaxia com a vacinação dos suscetíveis.

►Prevenção: a vacinação é a medida mais eficiente, é recomendada para todas as crianças com idade acima de um ano e mulheres suscetíveis.

A rubéola e a síndrome da rubéola congênita passaram a ser doenças de notificação, portanto, todos os casos de rubéola pós-natal devem ser notificados à unidade de saúde mais próxima.

Por vias externas podem ocorrer infecções através de alguns causadores, tais como:

STREPTOCOCCUS

Streptococcus em nomenclatura internacional latina ou estreptococos em português, são um gênero de bactérias com forma de coco Gram-positivas que causam doenças no ser humano. A maioria das espécies, no entanto é inofensiva. São dos patógenos mais comuns.

Fazem parte da microbióta normal da boca, pele, intestino ou trato respiratório superior.

Podem ser passados de pessoa por pessoa por contato com pessoas ou com objeto. São destruídos por detergentes e sabão mas são resistentes à desidratação, podendo agüentar períodos muito longos. Outras formas de transmissão incluem espirros e tosse

As infecções estreptocócicas são causadas por bactérias Gram-positivas denominadas estreptococos. As várias cepas patogênicas de estreptococos são agrupadas de acordo com seu comportamento, suas características químicas e seu aspecto. Cada grupo tende a produzir tipos específicos de infecções, sinais clínicos e sintomas.

  • Os estreptococos do grupo A são as espécies mais patogênicas para o ser humano, embora o mesmo seja o seu hospedeiro natural. Eles podem causar infecção estreptocócica da orofaringe, tonsilite, infecções de feridas e da pele, septicemia (infecções do sangue), escarlatina, pneumonia, doença reumática, Coréia de Sydenham (Dança de São Vito) e glomerulonefrite (inflamação renal), podendo inclusive causar a morte do indivíduo acometido em cerca de 1 mês.
  • Os estreptococos do grupo B causam mais freqüentemente infecções perigosas nos recém-nascidos (ex: sépsis neonatal) e infecções articulares (artrite séptica) e cardíacas (endocardite).
  • Os estreptococos dos grupos C e G freqüentemente são transportados por animais, mas também crescem na orofaringe, no intestino, na vagina e no tecido cutâneo do ser humano. Esses estreptococos podem causar infecções graves, como a faringite estreptocócica, pneumonia, infecções cutâneas, sépsis pós-parto e neonatal, endocardite e artrite séptica. Após uma infecção por uma dessas bactérias, pode ocorrer inflamação dos rins.
  • Os estreptococos do grupo D e os enterococos crescem normalmente no trato digestivo baixo, na vagina e na pele adjacente. Eles também podem causar infecções de feridas e de válvulas cardíacas, da bexiga, do abdômen e do sangue. As infecções causadas por determinados tipos de estreptococos podem causar uma reação auto-imune na qual o organismo ataca seus próprios tecidos. Essas reações podem ocorrer após uma infecção (ex: faringite) e pode acarretar a moléstia reumática, a Coréia e a glomerulonefrite.

STAPHYLOCOCCUS

Staphylococcus, segundo a nomenclatura latina internacional, ou em português Estafilococos são um gênero de bactérias Gram-positivas, com forma de cocos que causam doenças no ser humano. Os estafilococos são um dos mais comuns patógenos do homem. Eles evoluíram conosco durante muitos milhões de anos, e desenvolveram defesas e contra-ataques não menos impressionantes que os nossos contra eles.

Existem em todo o mundo. Os estafilococos existem na pele de todas as pessoas, geralmente estirpes pouco virulentas (coagulase-negativas), embora freqüentemente existam também Staphylococcus aureus sem causar doença. Por vezes também existem no intestino e trato urinário.

São destruídos por desinfetantes, sabão e altas temperaturas. Resistem bem à desidratação, durante períodos alargados. Passam de pessoa para pessoa pelo contato direto ou com objetos. As feridas e outras aberturas na pele, estados de debilidade, operações cirúrgicas e doenças podem levar a um organismo até aí inofensivo se transformar em invasor.

ESCHERICHIA COLI

A Escherichia coli é uma bactéria bacilar Gram-negativa, que, juntamente com o Staphylococcus aureus é a mais comum e uma das mais antigas bactérias simbiontes do Homem.

A E.coli está entre as principais causas de:

  • Toxinfecção alimentar: é uma causa importante de Gastroenterites.
  • Infecção do trato urinário (ITU): é a mais freqüente (cerca de 80% dos casos) causa desta condição em mulheres jovens, podendo complicar em pielonefrite. Resultam da ascensão do organismo do intestino pelo ânus até ao orifício urinário e invasão da uretra, bexiga e ureteres. Freqüentemente causadas pelo serovar UPEC. Também conhecida como cistite da lua de mel devido à propensão para aparecer em mulheres sexualmente ativas.
  • Colecistite
  • Apendicite
  • Peritonite: se perfurarem a parede intestinas ou do trato urinário. A mortalidade é alta.
  • Meningite: a maioria dos casos de meningite em neonatos é causada pela E.coli.
  • Infecções de feridas
  • Septicemia: causam 15% dos casos da multiplicação sanguínea freqüentemente fatal; contra 20% por Staphylococcus aureus. É uma complicação de estágios avançados não tratados de doença nas vias urinárias ou gastrintestinais. A mortalidade é relativamente alta

E.coli pode ser resistente a um número crescente de antibióticos, mas uma estirpe raramente é-o a mais de dois ou três fármacos. Antibióticos aconselhados são a aminopenicilina, cefalosporinas, quinolonas, estreptomicina e/ou cotrimazole. A escolha do antibiótico é feita por testes in vitro de susceptibilidade.

CONCLUSÃO

Com a realização deste trabalho, concluimos que as infecções neonatais podem ocorrer por diversas formas, intra-uterina, extra-uterina e durante o parto, e também pela via transplacentária e ascendente, sendo que as infecções ocorrem mais vezes durante a fase extra-uterina, onde o recém-nascido ainda não tem anticorpos suficientes para combater os microrganismos presentes no ambiente externo, devido à isso tem-se a importância de estar realizando formas básicas de cuidados com esses bebês, como: a lavagem das mãos de médicos e enfermeiras quando for manusear os bebês, limpeza das incubadoras, respiradores, entre outros. Com essas medidas simples e básicas pode-se evitarque os recém-nascidos adquiram infecções.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SEGRE, Conceição A.M.; ARMELLINI, Pedro Antônio; MARINO, Wanda Tobias. RN. Sarvier. São Paulo, 1995. 4ª edição. Pg. 468- 478, 484 e 485

http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/162.pdf acessado em 04/11/08 às 23:04 hs

http://pt.wikipedia.org/wiki/Streptococcus acessado em 04/11/08

http://pt.wikipedia.org/wiki/Staphylococcus acessado em 04/11/08

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escherichia_coli acessado em 04/11/08


Autor: Nathalia Fonseca