Processos Erosivos



VÂNIA VIEIRA DUARTE DA CRUZ

vieiraduartedacruz@gmail.com

RESUMO: A erosão dos solos tem causas relacionadas à própria natureza, como a quantidade e distribuição das chuvas, a declividade, o comprimento, a forma das encostas, o tipo de cobertura vegetal e também a ação do homem, como o uso e o manejo da terra que na maioria das vezes, tende a acelerar os processos erosivos (GUERRA e MENDONÇA, 2004).

As principais causas para a ocorrência desses processos de erosão são o desmatamento e posterior uso do solo para a agricultura e pecuária, mas a construção civil, o crescimento das cidades, a mineração e outras atividades econômicas são significativas na erosão acelerada, GUERRA (2004) apud GOUDIE (1995).

PALAVRAS-CHAVE: Ação antrópica, cobertura vegetal, erodibilidade, erosão, escoamento, intemperismo, processos erosivos, percolação, ravina, solo e voçoroca.

OBJETIVO: Proporcionar de uma forma sucinta, o esclarecimento do que vem a ser processos erosivos, os fatores que vão desencadear esses processos e os impactos causados pelos mesmos.

METODOLOGIA: A concepção teórico-metodológica adotada para o desenvolvimento desse trabalho cujo tema é Processos Erosivos, refere-se a uma abordagem científica, tendo como origem os pressupostos teóricos de CUNHA e GUERRA (1999, 2000, 2001 e 2004) em suas bibliografias: Geomorfologia do Brasil; Geomorfologia e Meio Ambiente;Erosão e Conservação dos Solos – Conceitos, Temas e Aplicações e Geomorfologia – UmaAtualização de Bases e Conceitos.

As bibliografias citadas acima foram as mais utilizadas, tendo assim maior contribuição na elaraboração deste artigo.

Nessa mesma linha, a metodologia fundamenta-se também nas propostas de Carlos Antônio Vitte (2004), em seu livro Reflexões Sobre a Geografia Física no Brasil, onde o mesmo possibilita a compreensão determos geomorfológicos; David Drew (2002), em seu livro Processos Interativos Homem-Meio Ambiente, contribuiu para o esclarecimento de solos e paisagens como sistemas abertos; Rosangela Garrido Machado Botelho (1998) e Jane Karina Silva Mendonça (2004) com os respectivos textos: Erosão dos solos e Erosão dos Solos e a Questão Ambiental enfatizaram os impactos ambientais causados pelos processos erosivos, e por final, a bibliografia de José Cláudio Marafon et al. (2005) Regiões do Estado do Rio de Janeiro: Uma Contribuição Geográfica, contribuiu para questões relacionadas ao Médio Vale do Paraíba

A pesquisa na internet limitou-se exclusivamente a busca de duas fotos, são elas: voçoroca em Uberlândia e voçoroca em Petrópolis.

INTRODUÇÃO: A proposta do artigo é explicar de maneira concisa o significado de processos erosivos ou erosão dos solos, os condicionantes, os impactos ambientais causados por esses processos e também o esclarecimento de alguns termos geomorfológicos para maior compreensão do trabalho proposto. Será dado ênfase a erosão hídrica.

A finalidade maior deste artigo não é trabalhar isoladamente com umestado da região Centro –Sul, mas é voltar-se para aspectos gerais da erosão dos solos que segundo GUERRA (2004) apud GOUDIE (1995), é o principal e mais sério impacto causado pela ação humana sobre o meio ambiente; e depois citar dentro deste contexto geral, três exemplos incutidos na região Centro –Sul, são eles: Médio Vale do Paraíba, Minas Gerais e Petrópolis.

1. SIGNIFICADO:

Processos erosivos têm como sinônimo, erosão dos solos refere-se à retirada, remoção ou transporte do solo em uma determinada área.

2. CONDICIONANTES:

Quando nos referimos aos condicionantes dos processos erosivos, estamos falando dos vetores que irão desencadear esses processos.

Podemos citar os fatores exógenos clima – com a atuação direta da água das chuvas – gravidade (relevo /encostas íngremes), tipo de cobertura vegetal, erodibilidade dos solos (ou vulnerabilidade dos mesmos em sofrer erosão) eação antrópica.

3. SOLOS E PAISAGENS COMO SISTEMAS ABERTOS

A formação dos solos é o resultado da interação de muitos processos, tanto geomorfológicos como edáficos. Esses processos retratam uma variabilidade tanto temporal e espacial significativa, sendo dessa forma é importante abordar os solos como um sistema dinâmico. Sendo assim, os solos e as paisagens devem ser considerados sistemas abertos[1].

A espessura do solo vai depender das taxas de sua remoção e formação, ou seja, nas áreas onde a remoção é mínima, solos profundos vão se desenvolver; onde a ação erosiva for mais ativa, os solos serão menos espessos. Na geomorfologia isso pode ser bem compreendido como um balanço resultante da denudação[2].

Nesse sentido GUERRA (2004) apud PALMIERI E LARACH (2000), resumem bem as relações entre os solos e paisagens, quando destacam o papel que o relevo exerce no desenvolvimento dos solos, com grande influência nas condições hídricas.

Segue-se um desenho esquemático - de forma bem simples - para exemplificar a influência do relevo nas taxas de erosão e intemperismo[3]. Áreas mais planas tendem as menores taxas de erosão, em compensação, áreas mais íngremes proporcionam maiores taxas de denudação.

Desenho esquemático das taxas de erosão e intemperismo:

Figura 01: Erosão x Intemperismo

3. O PROCESSO EROSIVO

Podemos citar três tipos de processos que vão desencadear a erosão hídrica, são eles:

ü3.a. Escoamento superficial[4] - a partir de um plano de ruptura origina ravinas e voçorocas menores (GUERRA, 1999 e 2001);

ü3.b. Escoamento subsuperficial- através da formação de dutos (pipes) em subsuperfície, que podem ser responsáveis pela remoção de uma grande quantidade de sedimentos, aumentando o diâmetro desses dutos. Pode dessa forma ocorrer o colapso do teto desses dutos, dando origem a uma voçoroca (GUERRA 1999);

ü3.c. Erosão por splash (ou salpicamento como é conhecido no Brasil)- se refere ao impacto direto da água da chuva no solo. Crostas são formadas na superfície, dificultando a percolação[5]e favorecendo o fluxo superficial (GUERRA, 1999 e 2001).

4. EROSÃO EM ÁREAS RURAIS

Segundo VITTE (2004), vários são os problemas ambientais pelos quais o planeta Terra passa atualmente, e, sem dúvida, a erosão é um deles, comprometendo a qualidade e quantidade da produção de alimentos.

No que diz respeito à produtividade, nas áreas agrícolas, a erosão dos solos implica a sua diminuição, e, dependendo da extensão e gravidade do processo erosivo, é muito comum no caso brasileiro, a agricultura cessar a sua atividade ou dar lugar a pecuária extensiva.

A cobertura vegetal protege os solos do impacto direto das gotas de chuva, além do que a presença do húmus, produzido pelas plantas e animais, proporciona maior estabilidade dos agregados, sob essas condições, evitando os efeitos da erosão acelerada. Dessa forma, à medida que grandes extensões de terra são desmatadas para a agricultura, ou pecuária, as taxas de erosão começam a aumentar quase que imediatamente (GUERRA, 1999).

5. EROSÃO EM ÁREAS URBANAS

Segundo GUERRA (2004), a erosão urbana no Brasil, está relacionada à falta de um planejamento adequado, que leve em conta não só o meio físico, mas também condições socioeconômicas. Por isso mesmo, a erosão urbana é um fenômeno típico dos países em desenvolvimento.

Dentre as modificações geradas pela ocupação do espaço urbano, e que são responsáveis por importantes alterações no ciclo hidrológico nessas áreas, destaca-se a impermeabilização do terreno, através das edificações e da pavimentação das vias de circulação (BOTELHO, 2002).

6. ALGUNS EXEMPLOS BRASILEIROS

Os exemplos aqui representados servem para ilustrar como os processos erosivos acentuados têm causado uma série de danos e prejuízos à sociedade e ao meio ambiente.

ü6.a. Médio Vale do Paraíba:

As marcas deixadas na paisagem, se por um lado simbolizavam o dinamismo que a região experimentou durante os tempos áureos do café, por outro lado acabariam por sinalizar também o seu declínio (MARAFON et al., 2005). Os solos desgastados e a refuncionalização de antigas propriedades de café para a pecuária são bons exemplos desse fato. A pecuária, aliás, que surgiu como uma das mais viáveis para a manutenção das fazendas viria a se constituir como uma das mais importantes atividades econômicas de diversos municípios do Médio Vale do Paraíba.

A história da ocupação passa a ter um significado primordial, constituindo-se no principal fator para o entendimento do estado de degradação na área GUERRA (1998) apud MAFRA e BOTELHO (1991); OLIVEIRA et al., (1995). A derrubada da cobertura vegetal nativa de Mata Atlântica causou quebra no equilíbrio natural constituindo o primeiro passo para o desencadeamento dos processos erosivos.

Com a decadência do café, em fins do século passado e a prática da pecuária, em grande parte extensiva, agrava as condições de erosão, em função da compactação do solo efetuada pelo pisoteio do gado, dificultando a percolação da água e favorecendo o escoamento superficial.

Figura o2: aspectos das marcas produzidas pelo pisoteio do gado e formação de ravinas, município de vassouras-rj. (foto: rosangela g. m. botelho) / livro:geomorfologia do brasil; orgs. s.b.cunha e a. j. t. guerra.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A erosão dos solos teve destaque neste artigo com o intuito de chamar a atenção para as relações existentes entre os processos erosivos acentuados e os impactos que os mesmos acarretam ao meio ambiente.

O trabalho proposto reafirma a necessidade de entender o processo erosivo que caracteriza-se por possuir várias formas de expressão na paisagem e inúmeros fatores controladores, entre eles o próprio homem.

Quanto às áreas críticas de ocorrência de erosão de solos no Brasil, foram selecionadas algumas, onde esses processos ocorrem de maneira significativa; fotos e informações curtas sobre as áreas em evidência, também foram citadas para um fácil entendimento.

Os solos e paisagens como sistemas abertos retratam a importância da troca de energia, para que os mesmos se mantenham estáveis. Isso nos remete a vulnerabilidade desses sistemas pelas alterações tanto de ordem natural quanto àquelas feitas pelo homem VITTE (2004).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CUNHA, S. B. e GUERRA, A. J. T. Degradação Ambiental. In: Geomorfologia e Meio

Ambiente. Rio de Janeiro, Ed. Bertrand Brasil, 2000, 3ª edição, pp.337-379.

CUNHA, S. B. e GUERRA, A. J. T. Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro, Editora

Bertrand Brasil, 1998, 388p.

DREW, David. Processos Interativos Homem-Meio Ambiente. Rio de Janeiro, Ed. Bertrand

Brasil, 2002, 5ª edição, 206p.

GUERRA, A. J. T. e BOTELHO, Rosangela Garrido Machado. Erosão dos solos. In: Geomorfologia do Brasil. S.B. da CUNHA e A. J. T. GUERRA (orgs.). BertrandBrasil, Rio de Janeiro, 1998, pp. 181-227.

GUERRA, A. J. T. O início do Processo Erosivo. In: Erosão e Conservação dos Solos -Conceitos, Temas e Aplicações. A. J. T. GUERRA; SILVA, Antônio Soares e R.G.M. BOTELHO (orgs.). Rio de Janeiro, Editora Bertrand Brasil, 1999, pp. 15-55.

GUERRA, A. J. T. Processos Erosivos nas Encostas. In: Geomorfologia – UmaAtualização de Bases e Conceitos. S.B. da CUNHA e A. J. T. GUERRA (orgs.).BertrandBrasil, Rio de Janeiro, 201, 4ª edição, pp. 149-209.

MARAFON, José Cláudio. et al. Regiões do Estado do Rio de Janeiro: Uma Contribuição Geográfica. Rio de Janeiro, Editora: Gramma, 2005.

MENDONÇA, Jane Karina Silva e GUERRA, A. J. T. Erosão dos Solos e a QuestãoAmbiental. In:Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil. GUERRA, A. J. T. e VITTE, Carlos Antônio (orgs.). Ed. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2004, pp. 225-251.

VITTE, Carlos Antônio e GUERRA, A. J. T. Reflexões Sobre a Geografia Física no Brasil. Ed. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2004, 280p.




Autor: vânia vieira duarte da cruz


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