Quem perde mais: a empresa ou o funcionário?



 

            Quando um funcionário está insatisfeito, está estressado, está se sentindo desmotivado pela falta de compreensão, pela desilusão profissional, pelas promessas não cumpridas, pelos planos ilusórios, está sobrecarregado e a empresa não enxerga ou não dá a menor importância para ele, é porque algo está errado.          

            Erros são passíveis e admissíveis, mas quem os comete sempre sofrerão as consequencias desses atos. São as causas e os efeitos da vida profissional de qualquer funcionário dentro de qualquer organização, ou de qualquer empresa para qualquer funcionário.

            Há de se ter muita cautela, muita parcimônia para não se cometer injustiças nos julgamentos prematuros inevitáveis (somente mais um erro).

            Um funcionário, via de regra, busca crescimento gradativo, passo a passo, degrau a degrau, sem ter que se submeter às incoerências e sem ter que tomar posições que confrontem à ética profissional.

            Quando ele consegue passar por vários estágios, consegue avançar posições, passando por fases com muita capacidade e competência, é porque está pronto para alcançar voos mais altos, está pronto para ajudar mais e ser mais prestativo do que o habitual até o momento.

            Para esse funcionário pode haver como obstáculo a resistência, a forte e burra resistência de acharem que ele não tem possibilidade de fazer mais do que “ele era mandado a fazer”, explicitamente.

            Ledo engano por parte da empresa, sempre na figura obscura e distorcida de profissionais cegos, ou “cegados pela própria viseira que se impuseram”.

            Um funcionário, quando estuda, investe em cursos, faculdades, pós-graduação, ele não o faz pelo bel prazer de servir tão somente e se limitar a ter, por contraprestação dos seus serviços, um salário.

            Todo investimento deve ter retorno. Às vezes, um investimento de anos.

            Se for verdade que ninguém paga para trabalhar, também é fato que ninguém estuda para não aplicar o conhecimento.

            Mas chega uma hora que a empresa tem que fazer essa opção: dar esse retorno que o funcionário espera ou deixá-lo buscar esse retorno, e é a realidade, porque um funcionário quer ter o retorno financeiro, mas também precisa ter reconhecimento e prazer naquilo que faz.

            Desenvolver o conhecimento adquirido, em uma função compatível, com uma remuneração apropriada, com cobranças inerentes e coerentes à função e não a por outras funções que não são notoriamente para aquele profissional desenvolver.

            “Você é importante para alguém à medida que tem utilidade; quando você deixa de ser útil, deixa também de ter importância para aquela pessoa” (Fábio de Melo, 2008).

            É o que acontece no mundo das organizações empresariais, também.

            Um funcionário tem importância por ser útil, por fazer algo que dê retorno para a empresa. Se a empresa julgar o contrário, esse funcionário está fadado a encerrar o ciclo dele dentro da empresa. Mas caso o funcionário ultrapasse essa barreira da utilidade, somente a partir de então poderá se considerar (nem ser chamado precisará) um “colaborador”.

            Um funcionário que é pago para atender um cliente que envia documentos (para outros digitarem), não pode ser cobrado porque o cliente não enviou o documento para a empresa. A culpa é de quem não cobrou, aliás, a pessoa (ir) responsável pela cobrança descabida e sem fundamento normalmente não se preocupa com isso, pois ela receberá e seguirá seu ciclo de qualquer jeito.

            Mas quem atende vai desanimar por essas pequenas falhas na comunicação e no desenvolvimento do trabalho, o que, fatalmente, fará com que o ciclo desse profissional se encerre antes do esperado e de forma imprópria e inadequada para a imagem da empresa.

            Então, esse funcionário, que poderia ter passado por tantas fases, que poderia ter tantas oportunidades de crescer e se desenvolver na empresa começa a refletir sobre sua posição, sua carreira, e começa a procurar outro trabalho, com uma função compatível ao estudo, com mais reconhecimento e diálogo, com mais atenção à vida, não somente profissional, mas pessoal também, pois quem trabalha desanimado e sem prospecção alguma (e não adianta argumentar que não se deve confundir carreira profissional com vida pessoal), não desenvolve uma atividade com a mesma eficácia e qualidade com que sempre o fez.

            Depois, virão os questionamentos: mas por que mesmo o funcionário saiu? E agora, quem irá fazer aquela função? E o custo disso? Terá a empresa condições de suprir um profissional com a mesma capacidade e qualidade?

            Este artigo, a princípio, foi escrito para que se pense mais e se planeje melhor a vida de um profissional dentro de uma empresa.

            Certamente o funcionário não irá perder tanto quanto a empresa, pois a capacitação estava nele, a qualidade do serviço era ele quem implantava e não a empresa. O funcionário seguirá sua vida, a empresa ficará para trás, literalmente.

            Por isso, a empresa que não olha para os funcionários ou não enxerga nos funcionários essa potencialidade, restará perder, perder e perder...

            Perder três vezes: o funcionário, a qualidade do seu serviço e a confiança dos poucos que tem a sensibilidade de notar, ainda que distantes, como são importantes aqueles que têm mais significado do que utilidade para a empresa.


Autor: Johney Silva